
Uma startup de IA pode encerrar as atividades, mas a responsabilidade sobre os dados permanece. Entenda por que a governança de fornecedores e a LGPD devem fazer parte da estratégia de adoção de inteligência artificial.
Criar uma conta em uma plataforma de inteligência artificial leva poucos minutos. Confiar a ela documentos, contratos, estratégias comerciais e informações confidenciais leva ainda menos tempo.
Mas você já parou para pensar no que acontece com os seus dados quando essa plataforma deixa de existir?
Nos últimos anos, o mercado de inteligência artificial foi tomado por centenas de startups que surgiram com propostas inovadoras, crescimento acelerado e investimentos milionários. Muitas delas, porém, encerraram suas atividades, foram incorporadas por concorrentes ou passaram por processos de reestruturação.
O fim de uma plataforma não representa apenas a interrupção do serviço. Em muitos casos, o ativo de maior valor dessas empresas está justamente nas informações acumuladas ao longo da operação.
Sob a ótica da LGPD, a proteção dos dados não deixa de existir porque uma empresa encerrou suas atividades. Ainda assim, a aplicação prática das garantias previstas na legislação pode se tornar mais complexa quando ocorre uma aquisição, sucessão empresarial ou processo de liquidação da sociedade.
Esse cenário revela um aspecto frequentemente negligenciado na adoção de soluções baseadas em inteligência artificial: a gestão de fornecedores. Escolher esse tipo de tecnologia deixou de ser uma decisão exclusivamente tecnológica e passou a exigir uma análise jurídica, de governança e de gestão de riscos.
Os riscos aumentam quando colaboradores utilizam soluções de IA sem qualquer política interna definida. Documentos corporativos, dados de clientes, informações financeiras e estratégias comerciais podem ser inseridos em ferramentas cuja estrutura e condições de uso jamais foram avaliadas pela organização.
À medida que a inteligência artificial se consolida como ferramenta indispensável para os negócios, cresce também a necessidade de incorporar critérios de governança à sua utilização. Afinal, a adoção de novas tecnologias não elimina a responsabilidade das organizações sobre os dados que decidem compartilhar.
A pergunta, portanto, não é se uma startup de inteligência artificial pode fechar as portas. O mercado demonstra que isso faz parte do ciclo natural da inovação.
A verdadeira questão é outra: se a plataforma que hoje armazena informações estratégicas da sua organização deixar de existir amanhã, você ficaria tranquilo sem saber onde foram parar os seus dados?
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Fonte: Exame.